AUTENTICIDADE DA PSICOGRAFIA

Posted on março 22, 2008

3


Transcrevo abaixo a indagação recebida por e-mail de uma leitora do blog, questionando uma suposta comunicação se seu pai e , por eventualmente ser de interesse de outras pessoas, a resposta que lhes enviamos.

Meu pai faleceu há quase dois anos de cancer, foi em 07/05/2006 o nome dele é “X”, no começo tanto da doença como o sentimento de perda foi muito difícil e aceitei melhor após ler muitos livros espiritas, meu pai em vida era quase um ateu… Bom após seu falecimento eu consegui me reerguer e sinto muitas vezes o carinho dele e é reciproco, sei que está bem, eu sinto isso. Mas minha irmã foi atrás de contato com ele e recentemente recebeu uma carta, porém tenho duvidas se realmente é meu pai.. Ele não assinou com a assinatura dele.. Como posso ter certeza se foi ele… Assinado : L.


Olá L.. Recebi com atenção sua mensagem e, sinceramente, gostaria de lhe dar uma resposta exata à indagação. Contudo, os segredos da espiritualidade não se constituem numa ciência exata. Há céticos que afirmam que a psicografia é um caso de ilusão ou fraude, mas ninguém até o momento conseguiu comprovar que as obras psicografadas por médiuns sérios sejam fraudes. Ao contrário, Carlos Augusto Perandrea, professor adjunto do Departamento de Patologia, Legislação e Deontologia da Universidade Estadual de Londrina (PR) e criminólogo e perito credenciado pelo Poder Judiciário, estudou as assinaturas dos textos psicografados por Chico Xavier utilizando as mesmas técnicas com que avalia assinatura para bancos, polícia e justiça, a grafoscopia. O resultado do seu estudo comprovou que as assinaturas dos desencarnados nos textos psicografados eram idênticas às assinaturas destes quando vivos.

A mensagem ao lado foi psicografada por Chico Xavier, de trás para diante, no idioma inglês, na sede da União Espírita Mineira, após um concerto em benefício do “Abrigo Jesus”, realizado em 4 de abril de 1937, pelo violinista Levino Albano Conceição, cego desde os sete anos de idade.

Esta saudação, recebida em dois minutos, escrita em caracteres invertidos, poderá ser lida em um espelho. Lê-se, então, o seguinte:

“My dear and generous friends of the fraternity’s doctrine. Good health and peace in God, our Father! Let us learn the life in the love’s law, from the instructions of Jesus Christ, Except this work almost always in the earthly world represent the struggle and studies of the vanity and from the darkness of the little men’s science. Your Brother. Emmanuel

Quando entrevistado sobre o tema o fenômeno da psicografia, Chico dizia que tecnicamente não saberia defini-lo. “Sei apenas que os espíritos amigos tomam o meu braço e escrevem o que desejam”, disse. Revelou, contudo, que suas faculdades se acentuavam em todos os aspectos quando estava escrevendo sob a influência de espíritos. “E realmente sinto-me na companhia dos amigos desencarnados, quando eles permitem, com tanta espontaneidade, como se fossem deste mundo, que nós vemos e ouvimos naturalmente”, ressaltou.

Ademais, L., a forma de escrita se manifesta de maneira distinta, dependendo das faculdades de cada médium. Há a os “intuitivos”, em relação aos quais as idéias surgem bruscamente, podendo ser passadas para o papel; já nos médiuns “semi-mecânicos” observa-se movimentos involuntários das mãos, acompanhadas ou não das idéias a serem escritas. Os médiuns “mecânicos” se caracterizam pelo fato de movimentar as mãos escrevendo sob a influência direta dos Espíritos, sem interferência da própria vontade. Agem como máquinas a transmitir do invisível para o mundo material. São raros. No Brasil, destaca-se o trabalho do próprio Chico Xavier.

Por isto não há, concretamente, como analisar a psicografia recebida por sua irmã sem saber as faculdade do médium transcrevente. E perceba que a identidade da assinatura só será justificável se tratar-se de médium “mecânico”; embora, ainda assim, seja necessário observar as condições do desencarnado que oferece a comunicação. Isto porque o médium é um mero instrumento e depende da habilidade do comunicante em “utilizar” tal “instrumento”.

Deixo, finalmente, para reflexão um texto de Alan Kardec, na Revista Espírita, de abril de 1864 : “Sabe-se que os Espíritos, por força da diferença existente em suas capacidades, estão longe de estar individualmente na posse de toda a verdade; que nem a todos é dado penetrar certos mistérios; que seu saber é proporcional à sua depuração; que os Espíritos vulgares não sabem mais que os homens e até menos que certos homens; que entre eles, como entre estes, há presunçosos e pseudo-sábios, que crêem saber o que não sabem, sistemáticos que tomam suas idéias como verdades.

Enfim, que os Espíritos de ordem mais elevada, os que estão completamente desmaterializados, são os únicos despojados das idéias e preconceitos terrenos. Mas sabe-se, também, que os Espíritos enganadores não têm escrúpulos em esconder-se sob nomes de empréstimo, para fazerem aceitas suas utopias. Disso resulta que, para tudo o quanto esteja fora do ensino exclusivamente moral, as revelações que cada um pode obter têm um caráter individual, sem autenticidade; que devem ser consideradas como opiniões pessoais de tal ou qual Espírito, e que seria imprudente aceitá-las e promulgá-las levianamente como verdades absolutas”.

O primeiro controle é, sem contradita, o da razão, ao qual é necessário submeter, sem exceção, tudo o que vem dos Espíritos. Toda teoria em contradição manifesta com o bom senso, com uma lógica rigorosa, e com os dados positivos que possuímos, por mais respeitável que seja o nome que a assine, deve ser rejeitada”.

Feitas estas necessárias observações, espero ter ajudado na análise da questão e aproveito para sugerir uma leitura útil ao seu momento de vida: o livro “Por Trás do Véu de Ísis” (Uma investigação sobre a comunicação entre vivos e mortos), de autoria de Marcel Souto Maior, onde a psicografia é explicada com muita competência por um jornalista não espírita.
About these ads